domingo, maio 24, 2020
Nilson
A fumaça na xícara de café entra pelas narinas e o odor enebria os pensamentos de Lia. A lembrança do corpo nu dele é uma tortura. A água do chuveiro caindo enquanto ela o abraçava por traz, sentindo a musculatura rígida das costas, das nádegas de encontro ao seu quadril. O riso sem jeito, o olhar sapeca e safado. Tímido. Até a terceira frase. Lia...Ah! Lia já pensa em fugir. Não pode se dar ao luxo de se apaixonar. Não! Não pode! Não quer! Não vai! O telefone toca e o visor avisa que é ele. 13 chamadas não atendidas. É justo? Não... Ela sabe, mas não tem forças para se justificar. Não agora. Ele vai estranhar. Talvez sofra um pouco, mas logo vai esquecê- la. Há um abismo entre eles e cabe a ela tomar as rédeas da própria vida. A chuva pela janela faz reflexo das lágrimas que teimam em fazer seu olho arder. Merda!
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