Alex e Júlia eram incompatíveis. Uma história que já começou pra dar errado.
Júlia era uma mulher madura, independente, forte, mas se tornou uma adolescente, quando deixou Alex tomar conta de seus pensamentos.
Alex era um menino. Quase metade da idade dela, apesar de bem experiente, sofrido, pai de filhos.
Ele repetia sempre para tentar convencê-la, quando ela lhe dizia sobre a diferença de idade e as muitas mulheres mais novas que o cercavam:
"Mas não é sobre quem me quer. É quem eu quero. E eu quero você!
E ela foi se cedendo.
Porém, apesar de todo carinho e afinidade, apesar da energia que emanava dos dois, do tesão inegável, ele não estava pronto para entrar numa relação.
Júlia por sua vez tinha medos, vergonha do julgamento da sociedade.
Por várias vezes Alex lhe dissera que não importavam os outros e que ele a queria. Ele a escolhera. Tanto fez que Júlia acabou se envolvendo e quando viu, a insegurança havia se transformado em interesse.
Interesse por um homem que em nada era o que ela queria. Aliás, pra falar a verdade, o oposto do que ela desejava.
Mas além dos argumentos havia a voz! Que voz! Ela se derretia ao ouvi- lo. Seu corpo reagia ao som daquela voz máscula que vinha de um menino.
Quando transavam só havia um homem e uma mulher. Sem idade, sem preocupações, sem sociedade, sem dramas.
Apenas dois corpos que se desejavam e se uniam em busca do prazer do gozo. Se buscavam num desejo incontrolável, como estavam agora.
Tinham acabado de transar e, nus, descansavam nos braços do outro. Júlia dava mordidinhas no ombro dele e ele brincava com os bicos rosados dela...Saciados, mas ainda querendo sentir a quentura da pele, do outro. Talvez esperando uma segunda rodada.
Até que ele, rompendo aquele momento intimo ...
-Eu nunca pensei q você iria abaixar a guarda assim pra mim.
-Vc é romantica e isso só vai te machucar. Vejo as coisas com mais clareza agora.
Eu só queria que a gente fosse amigo e transasse de vez enquando.
É pedir muito?
Alex não olhava pra Júlia evitando ver o sofrimento que causava nos seus olhos. Ele sabia bem que a tinha conquistado.
Depois de ter plantado o interesse nela, ele perdeu o dele. Como fazem muitos homens quando conseguem o objetivo.
Todo discurso de "quero você", que envolveu Júlia e a fez se abrir pra ele foi pro ralo.
Júlia perdeu o chão!
Ficou sem palavras. Então era só isso. Assim? Sexo quando ele quisesse, sentisse vontade. Era nisso que ela se reduzia?
Assim ela não queria.
Porém os sinais estavam ali. Ela que não quis ver, mas não se surpreendia. Não seria a primeira vez que se deixava iludir. Engoliu seco.
Por alguns minutos o silêncio foi ensurdecedor. Nenhum dos dois fazia qualquer movimento ou som.
Até que, saindo daquele torpor, Júlia se levantou, se enrolou na toalha e foi pro banheiro.
Quando voltou já recuperada, pediu para irem embora. Em silêncio Alex também foi tomar banho, se vestiu e saíram do quarto que foi a única testemunha do que eles sentiam.

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