segunda-feira, novembro 20, 2023

Sandro

 Há dias não se viam. Helena estava bloqueada nas redes sociais de Sandro e achava que nunca mais o veria. Melhor assim. 

O app mostrou uma notificação. Era ele. Antes da briga haviam combinado uma viajem com amigos, mas com como se desentenderam, ela achou que ele não iria mais. 

- Você vai me dizer onde vamos nos encontrar pra viajar ou vou ter que adivinhar?

Mas é muito abusado! Chega assim do nada como se nada tivesse acontecido. O coração falhou uma batida. Centre- se, Helena! 

- Pode vir pra minha casa às 16 h. Saímos daqui.

Ele se atrasou, claro, mas estavam todos atrasados mesmo. Ao chegar, ambos mantiveram a postura de conhecidos civilizados. Ela ainda arrumando as malas, na correria. Evitava chegar perto e fingia indiferença. 

Eles viviam numa montanha russa de brigas por motivos à toa e vontade de se tocar, de falar coisas triviais. Até a próxima discussão. Desgastou.

A luz faltou! Tudo ficou no escuro.

Ela foi tomar banho de porta aberta.

Estava debaixo do chuveiro se recompondo quando ouviu a voz que a tirava do sério:

- Mesmo com a luz apagada vc é apetitosa. 

- Sai daqui! 

- Eu não! A visão tá incrível. Pode continuar seu banho. 

Disse enquanto tirava as próprias roupas.

- Sai, Sandro! Não me deixa envergonhada. Disse Helena com a voz sumindo sem saber se puxava ele pra dentro ou empurrava pra fora, tentando esconder os seios e o púbis.

- Vergonha de que? Já vi você nua antes e gosto de cada pedacinho desse corpo...

Entrou no box e a abraçou. 

- Que saudade eu estava dessas curvas! 

Helena, ali indefesa, exposta, molhada, excitada não conseguia nenhuma reação.

Não entendia porque sendo tão controlada não conseguia se controlar perto dele. 

Sandro a acariciava, tocando em suas partes mais íntimas que já pulsavam de desejo. Ela, então, deixando o pudor de lado, procurou sua boca e num beijo apaixonado resolveu tirar o melhor proveito daquela inusitada situação. Dane- se! Depois resolvo isso!

Beijou o pescoço. Desceu até o peito, barriga, até chegar ao membro enrijecido e abocanhá- lo com sofreguidão. 

Sandro gemia. 

Fizeram amor ali no chuveiro.

Mas ainda não estavam saciados. 

Foram para o quarto e mais uma vez usaram a cama, testemunha das noites de tesão que  haviam compartilhado. 

- Como você fica linda de quatro!  Nooooossa!

Chegaram atrasados e quase perderam o barco. Durante toda noite não se desgrudaram. Mesmo quando se afastavam seus olhos de buscavam. Era impossível tirar as mãos um do outro e ansiavam por uma nova rodada. Como Helena era a anfitriã da festa isso teve que esperar, mas a madrugada foi passada se esfregando na piscina. 

No dia seguinte, ao retornarem do torpor do reencontro tudo voltou ao que era. 

Sandro deu- lhe um beijo na testa e pegou outra carona.

 Voltaram a realidade e o desejo contido sempre explodia em brigas. Sandro e Helena pareciam animais feridos. Cada um com seus traumas


. Machucavam e feriam um ao outro com palavras, mas não conseguiam se afastar. Muitos podem achar tóxico, mas a verdade é que há amores que não podem ser vividos. Tesão que deve ser reprimido. 

E nunca mais a cama ou o chuveiro viram os dois.






sábado, novembro 18, 2023

Alex


 Alex e Júlia eram incompatíveis. Uma história que já começou pra dar errado.

 Júlia era uma mulher madura, independente, forte, mas se tornou uma adolescente, quando deixou Alex tomar conta de seus pensamentos. 

Alex era um menino. Quase metade da idade dela, apesar de bem experiente, sofrido, pai de filhos. 

Ele repetia sempre para tentar convencê-la, quando ela lhe dizia sobre a diferença de idade e as muitas mulheres mais novas que o cercavam: 

"Mas não é sobre quem me quer. É quem eu quero. E eu quero você! 

E ela foi se cedendo.

Porém, apesar de todo carinho e afinidade, apesar da energia que emanava dos dois, do tesão inegável, ele não estava pronto para entrar numa relação. 

Júlia por sua vez tinha medos, vergonha do julgamento da sociedade. 

Por várias vezes Alex lhe dissera que não importavam os outros e que ele a queria. Ele a escolhera. Tanto fez que Júlia acabou se envolvendo e quando viu, a insegurança havia se transformado em interesse. 

Interesse por um homem que em nada era o que ela queria. Aliás, pra falar a verdade, o oposto do que ela desejava. 

Mas além dos argumentos havia a voz! Que voz! Ela se derretia ao ouvi- lo. Seu corpo reagia ao som daquela voz máscula que vinha de um menino.

Quando transavam só  havia um homem e uma mulher. Sem idade, sem preocupações, sem sociedade, sem dramas.

Apenas dois corpos que se desejavam e se uniam em busca do prazer do gozo. Se buscavam num desejo incontrolável, como estavam agora. 

Tinham acabado de transar e, nus, descansavam nos braços do outro. Júlia dava mordidinhas no ombro dele e ele brincava com os bicos rosados dela...Saciados, mas ainda querendo sentir a quentura da pele, do outro. Talvez esperando uma segunda rodada. 

Até que ele, rompendo aquele momento intimo ...

-Eu nunca pensei q você iria abaixar a guarda assim pra mim. 

-Vc é romantica e isso só vai te machucar. Vejo as coisas com mais clareza agora. 

Eu só queria que a gente fosse amigo e transasse de vez enquando. 

É pedir muito?

Alex não olhava pra Júlia evitando ver o sofrimento que causava nos seus olhos. Ele sabia bem que a tinha conquistado.

Depois de ter plantado o interesse nela, ele perdeu o dele. Como fazem muitos homens quando conseguem o objetivo. 

Todo discurso de "quero você", que envolveu Júlia e a fez se abrir pra ele foi pro ralo.

Júlia perdeu o chão! 

Ficou sem palavras. Então era só isso. Assim? Sexo quando ele quisesse, sentisse vontade. Era nisso que ela se reduzia? 

Assim ela não queria. 

Porém os sinais estavam ali. Ela que não quis ver, mas não se surpreendia. Não seria a primeira vez que se deixava iludir. Engoliu seco.

Por alguns minutos o silêncio foi ensurdecedor. Nenhum dos dois fazia qualquer movimento ou som.

Até que, saindo daquele torpor, Júlia se levantou, se enrolou na toalha e foi pro banheiro.

Quando voltou já recuperada, pediu para irem embora. Em silêncio  Alex também foi tomar banho, se vestiu e saíram do quarto que foi a única  testemunha do que eles sentiam.