quarta-feira, novembro 05, 2025

Henrique

  

 

Não entendia aquele silêncio. E só um homem poderia explicar o silêncio de outro homem.

- Porque vocês homens somem?

- Heim?

- A gente se conhece, faz sexo e acha que é possível, mesmo com todas as adversidades. É, é mais do que sexo... Bem, de qualquer maneira, eu sei onde te encontrar, mas você se antecipa e promete me procurar, e depois some? Tem que haver um motivo! Só um, eu só quero um motivo!

- Do que você está falando?

- Eu quero saber por que é tão difícil deixar se apaixonar por mim e se é tão fácil se manter distante!

- Quem disse que é fácil se manter distante?

- O silêncio. Agora me responde: por quê?

- Querida, você impõe esse silêncio.

- ?

- Homem nenhum gosta de pisar em terreno arenoso. Somos inseguros. Não fazemos declarações de amor se não tivermos vários indícios de que somos correspondidos, em alguns casos nos declaramos só para não parecermos desajustados e em outros casos não nos declaramos mesmo estando arriados pela paixão só para parecermos adequados. Não aprendemos a caminhar nas nuvens mais aprendemos a nos tornarmos capachos para os caprichos das mulheres quando estamos apaixonados. Apaixonados... E você é a pior! O que conta sobre você? Eu só sei o que quer que eu saiba, e acredite, é bem pouco. O que sei é que usa o corpo como armadura,  pra que ninguém toque seu interno. Chama de acordo, mas é na verdade uma batalha. E tem esse jeito de olhar...

- Qual jeito?

- Debochado. Parece que está sempre brincando, que tudo tem pouca importância pra você. Tudo e qualquer um. Um qualquer... E quer saber o que é mais contraditório nisso? Que você brada amor por seu marido! Um homem que não faço a mínima noção de como é, só sei que você o ama. E ama. Então, alguém tem importância pra você. Consegue entender?

- Então o problema é ser casada?

- Não. O problema é parecer não ter importância pra você.

- Quem? Você?

- Acho que todo mundo se sente assim em relação à você, até mesmo os anjos, querida. 

- Ah, isso não é verdade. Tirando-me da questão, generalizando, uma pessoa só entra na vida da outra por algum motivo, por alguma relevância.

- Qual o motivo d'eu estar na sua vida?

- ...Sexo...?

- Pois é, tinha esquecido que a sua sinceridade excessiva também mantém os homens em silêncio. Mais espera ai! Essa conversa não é sobre eu e você. Ou sobre você e seu marido. É sobre você e outro homem! Ou outro anjo? Você se apaixonou!!! Quem é ele?

 

...

 

- Querido, você sabe mais de mim do que eu quero...


 Desconheco a autoria*

Eduardo...Mascaras


 Máscaras...


Eu uso máscaras...
Tenho muitas delas...
Tenho máscaras que choram,
que riem,
que gargalham...
Tenho uma máscara de pura,
outra de depravada...
Uso máscaras que falam
e que não dizem nada!
Eu uso máscaras...
Troco-as em cada ocasião,
cinicamente,
como quem troca de base ou de baton...


Eu uso máscaras...
E o que eu seria sem elas?
Um ser covarde! 😝 
Fraca demais para enfrentar um mundo inteiro...
Alguém incapaz de encarar frente a frente,
realisticamente,
o seu EU verdadeiro!

Íris Galvão



Gostaria poema de Jorge

 Gostaria...

"Queria compartilhar contigo os momentos mais simples e sem importância.Por exemplo:sair contigo para passear, sentir-me apoiada em teu braço, ver-te feliz ao meu lado alheio a todo mundo que passasse.Gostaria de sair contigo para ouvir música, ir ao cinema,tomar sorvete, sentar num restaurante diante do mar, olhar as coisas, olhar a vida, olhar o mundo, despreocupadamente,e conversar sobre "nós" - esse "nós" clandestino que se divide em "tu e eu"quando chega gente.Encontrar alguém que perguntasse. "Então, como vão vocês?"e me chamasse pelo nome, e te chamasse pelo nome e juntasse assim nossos nomes, naturalmente, na mesma preocupação. Gostaria de poder de repente te dizer:- Vamos voltar pra casa...( Como se felicidade pudesse ser uma coisa a que tivéssemos direito como toda gente.)

J.G. DE ARAUJO JORGE
 

Felipe da Cherry

 

Eis que retorno ao conhecido depois da frustração por errar em decidir percorrer direções opostas. E não é por acomodação. É por precisar especificamente dele. Mesmo pensando ele, que poderia ser por qualquer um outro. Mal imagina ele que essa necessidade tem seu nome próprio: Felipe.
Não dá para explicar o tanto que ele sabe de mim mesmo nos falando tão pouco e nem depois de tudo, depois desses cinco anos, sempre vem essa sensação de que nunca mais nos veremos. E nos vemos, entre distâncias e (in)quietudes.
Ele é o cessar da ardência sufocada e o caleidoscópio das cobiças vencidas. O fim dos engodos, das precisões de juras, das cobranças, das conveniências. E se ele é o fim, é por ele que (re)inicio.
E ainda assim eu me ausento, e ele me faz voltar. E ele poderia esquecer-me, mas não fecha a porta, porque não dá pra explicar o que nos acontece em dias que as flores se doam e o cio se faz farto e doído.

Eu poderia contar que sei de sua inteligência e que tenho para mim suas ignorâncias. Que o vejo como lua crescente que dança libertina no meu purgatório. E também que entendo as ambições de sua alma. As querências de sua pele.
Ele poderia saber que eu gosto de me deitar numa rede quando o sono me procura. E poderia saber que brigo com meus cabelos todos os dias. Ou que brinco de boneca feito criança de cinco anos. Ou os malabarismos que faço para segurar as coisas entre os lábios cerrados quando me faltam as mãos.
Ele sabe que possui o que é meu também, que chora pelo o que choro, que deixou de brigar contra algumas recriminações pelos mesmos motivos que deixei de me preocupar com algumas outras.

Felipe sabe de mim. É quem eu sou, num reflexo sem distorções. Está em Felipe a minha polaridade feminina e em mim, a sua masculina.  Felipe é Terra que acolhe meus pousos e eu, Fogo que dissipa tua solidão. Somos solitários. E solidários. E quando nos negamos, não é rejeição: é proteção.

O obsceno não existe em Felipe. Sacro e profano convivem harmoniosamente em seus cômodos. E ele tem aquele quarto. Aquele quarto que é tão ele e que tem tanto de mim.
É naquele quarto que res(s)umo o cheiro do ontem por entre as pernas, tatuo constelações entre os seios e da minha pele ele faz a sua rota. Se a calcinha não combina com o sutiã, não importa. Eu assento em Felipe. Os meus sentidos se misturam aos seus beijos sôfregos. Beijos sem conseqüências. Destemidos beijos. Respeito quem beija sem reservas. E eu o beijo sem medo, feito Narciso diante de sua imagem num espelho. E ele não me beija como quem tem pressa para bater o cartão de ponto. Só pessoas como nós sustentam os olhos abertos para ir além dos contornos suaves. Olhos nos olhos, como deve ser. Sem condenação, com algum desafio.
Não dá pra explicar essa falta de pejo dos meus lábios ao gemerem indiscretos e seu o recolhimento quebrantado. Não preciso disfarçar que sou puta com cara de santa, ele sabe-me: santa-puta que alcança indulto para seus desatinos quando ele me traz pra perto, me pega pelos quadris e me puxa pra junto dos seus:
E eu desato,
-amolecida-
Ele se abre.
Eu umedeço as reentrâncias,
Ele dói em turgidez.
E todo o meu mundo pára quando me penetra,
Felipe é vasto dentro de mim.
Castigo e redenção.
Eu galgo neste selvagem,
Ele chicoteia a sombra da donzela que resta em mim.
Eu me farto,
-agradecida-
Ele me basta.
Eu rebolo,
Ele me (re)encaixa.  
Eu suo as madeixas,
ele me seca as chagas.
Avançamos-recuamos.
Serpenteiamos-esvoaçamos.
Solidificamos-esfumaçamos.
Eu pulso,
Ele não esmorece.
Eu suavizo,
-vivida-
Ele atinge o cume.
É no gozo dele é que restabeleço meu tratado de paz.
Não dá pra explicar essa (in)constância entre nós e muito menos essa (in)conveniência de pedir sempre mais da vida por acharmos que ela nos deve só o tudo e, no entanto, o que temos abrevia-se a nós mesmos. Não dá.

- eu poderia escrever linhas e mais linhas sobre Felipe, todas cheias de parênteses. Trechos e mais trechos, todos sem reticências  Porque escrever sobre ele é discursar sobre mim, mas eu resguardo(-nos)*


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Texto creditado ao extinto Blog Cherry Plum*. 
























   
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